Blink – The Power of Thinking without Thinking

Blink – The Power of Thinking without Thinking,de Malcolm Gladwell sobre como funcionam o pensamento e a intuição (2005).

O autor abre o livro com o intrigante caso da estátua grega, um kouros, comprada pelo Museu J. Paul Getty em 1983. Uma poderosa aquisição, chancelada por especialistas de diversas áreas. Até que a estátua cai na vista de um dos curadores do museu que, com uma “batida de olho”, emite um julgamento oposto ao dos especialistas. Em seguida, um perito de arte e uma estranha “intuição repulsiva” lhe percorrendo a mente ao ver a estátua. E assim o autor compara as duas estratégias de avaliação utilizadas pelo nosso cérebro: a consciente (mais “técnica”) e a inconsciente, que nos permite a tomada rápida de decisões baseados em poucas informações, sem que necessariamente saibamos explicar por que as tomamos.

A PROPOSTA: O livro se propõe a mostrar que ambos os tipos de decisões podem ser igualmente valiosos. E também a responder ao leitor quando confiar ou não nos instintos. A terceira tarefa a que Gladwell se propõe, e a que considera a mais importante, é convencer o leitor de que julgamentos “apressados” (snap jugdments) e primeiras impressões podem ser educados e controlados.

O “THIN-SLICING”: É a habilidade de nosso inconsciente de achar padrões em situações e comportamentos apenas se baseando em pequenas porções (“slices”) de experiência: assim, exemplifica o autor, é que analistas que perscrutavam a vida conjugal de casais diversos descobriam em apenas três minutos de diálogos entre eles se eles se manteriam ou não casados, pontuando quatro características essenciais, presentes ou não na conversa: atitude defensiva, obstrução, crítica e desdém (com destaque para a última). Essa percepção é a mesma que permitia a peritos do código Morse detectar o “punho”, o padrão peculiar com que cada operador tecla (o que, aliás, ajudou imensamente os aliados na Segunda Guerra, como mostra o filme “O Jogo da Imitação”).

JULGAMENTOS RÁPIDOS – O GOLPE DE VISTA: É a capacidade que permite a uma pessoa conhecer mais sobre outra examinando seu quarto do que através de uma conversa (que pode falsear a percepção). É a habilidade essencial que tinham os generais Napoleão e Patton; é também o que levou o produtor Brian Grazer a acreditar no futuro de um jovem ator de nome Tom Hanks e é o que permite a peritos determinar os médicos mais propensos a ser acionados na justiça (essencialmente, médicos cuja consulta não causa boa impressão são mais propensos do que os que cometem erros médicos!).

JULGAMENTOS CORRETOS? Esses julgamentos são feitos pelo cérebro a “portas cerradas” e dificilmente conseguimos definir os critérios usados. Assim, treinadores “adivinham” quando um esportista vai fazer a jogada certeira ou esportistas veem a bola chegando e nem pestanejam para atingi-la corretamente, mas não conseguem explicar por que acertam. Por outro lado, podemos ser enganados por estas primeiras impressões, como provou a eleição de um dos mais medíocres presidentes americanos, o vistoso e elegante Warren G. Harding.
Essas primeiras impressões são geradas pelas nossas experiências, mas sofrem influência do ambiente em que vivemos, e é por isto que o IAT (Implicit Association Test), que testa situações espontâneas, pode gerar respostas carregadas de preconceito inconsciente, gerado pelo ambiente do(a) respondente, mesmo que conscientemente ele(a) combata preconceitos.

A TOMADA DE DECISÕES deve, então, ser guiada basicamente por dois aspectos:

  1. Balancear os pensamentos instintivos e os deliberados e saber quando brecar os primeiros.
  2. Restringir-se aos elementos mais simples, evitando a sobrecarga de informações irrelevantes.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO E O CONSUMIDOR: Você pode fazer uma primeira impressão valer muito na questão do consumo e quem melhor soube interpretar os anseios do consumidor foi Louis Cheskin. Por causa de seus estudos é que a margarina tem a cor da manteiga e as embalagens são parte essencial dos produtos. Por outro lado… primeiras impressões mal administradas podem conduzir a resultados falhos, como bem demonstra o clássico Desafio Pepsi: quando a Pepsi mudou de sabor por causa de pesquisas, a Coca foi atrás e falhou, tendo que retornar à Coca clássica. Por quê? Porque testar um gole não é como beber a lata ou garrafa toda. Foi por fugir da dependência das primeiras impressões que surgiram sucessos como a cadeira Aeron e seriados de TV como Mary Tyler Moore. Aderir a elas sem a correta interpretação, por outro lado, gerou o caso do emblemático cantor Kenna, adorado pelo público e rejeitado pelas rádios.
E é para evitar esta interpretação incorreta que a primeira impressão pode causar que testes de audição de instrumentistas, que são feitos por thin-slicing, ocorrem às cegas (Gladwell dedica um capítulo à absurda batalha que teve que travar a trombonista Abbie Conant, da Filarmônica de Munique após um bem-sucedido teste desses).

LENDO ROSTOS E MENTES – NOSSOS VERDADEIROS SENTIMENTOS: A meu, ver o caso mais dramático do livro – e que provocou profundas mudanças na abordagem policial americana –, foi o do imigrante Amadou Diallo, uma sequência trágica de interpretações errôneas de sinais corporais e faciais… expressões estas que foram objeto de estudo de Silvan Tomkins, talvez o maior “leitor de mentes” do mundo, e de seu discípulo Paul Ekman, que, em parceria com Wallace Friesen, criou uma extensa taxonomia das expressões faciais humanas… e descobriu que, das milhares existentes, a maioria nem tem significado, mas que delas sempre se podem extrair as microexpressões involuntárias com que a evolução nos dotou para sinalizar nossos verdadeiros sentimentos.

AUTISMO TEMPORÁRIO? No autismo, modelo clássico da inabilidade de focar um rosto e dele captar sentimentos, uma face é apenas um objeto; o autista usa a mesma região do cérebro que reconhece objetos (aquela que pode nos deixar na mão na hora de reconhecer nossa bagagem na esteira) para reconhecer faces (a que nos permite reconhecer um colega de dezenas de anos atrás). Gladwell pergunta-se se o autismo não seria também uma condição temporária nas pessoas normais submetidas a estresse violento, levando-as a interpretações errôneas; seria como se o mecanismo de interpretação de sinais fosse desligado nestes momentos, da mesma forma que a evolução determinou que o controle dos músculos responsáveis pela evacuação não é essencial sob estresse violento.
Para evitar esse “autismo temporário” e suas falsas interpretações é que são proibidas as perseguições em alta velocidade na polícia americana e que se deixa apenas um policial nos veículos de patrulha: a espera pelo reforço pode ser um bom freio contra decisões instintivas perigosas.

OS ENSINAMENTOS: Gladwell dedica um capítulo à análise da clássica batalha de Chancellorsville, na Guerra Civil americana, de onde surgem algumas lições:

  1. O dom de agir por instinto e corretamente vem da experiência;
  2. Entender a verdadeira natureza da decisão instintiva requer saber perdoar os que erram sob circunstâncias onde o bom julgamento está em risco;
  3. Num mundo saturado de informação, acabamos por confundir “informação” com “entendimento” (Pearl Harbor e Chancellorsville são exemplos de como o excesso de informação pode prejudicar, bem como os casos dos atendimentos de suspeita de infarto agudo do miocárdio, que levaram os médicos a escolher um grupo de sintomas essenciais, descartando os demais sinais, que só tendiam a confundir.)

Surpreendentemente, conclui o autor, em decisões diretas, a deliberação consciente talvez seja a melhor. Já em questões onde a análise e escolha pessoal começam a ficar complicadas e temos que lidar com diversas variáveis, nossos processos inconscientes (julgamentos instintivos) talvez sejam melhores (já preconizava Freud…).

Enfim, uma leitura muito interessante, com trechos que nos situam num suspense policial em câmera lenta (como no caso de Amadou Diallo), ou num suspense de tribunal (como no caso do kouros) ou de guerra (o capítulo dedicado a Paul Van Riper e o Desafio do Milênio, que precedeu a invasão do Iraque). Algumas poucas partes mais monótonas, mas, no geral, vai-se lendo pelo impulso de saber que descoberta virá logo a seguir.

 

Anúncios
Publicado em Gestão de Pessoas, História, Livros, Tendências | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Origins – Fourteen Billion Years of Cosmic Evolution

Origins – Fourteen Billion Years of Cosmic Evolution, livro sobre cosmologia de Neil deGrasse Tyson e Donald Goldsmith, 2005 (edição de 2014).

O livro best-seller do astrofísico Neil Tyson, tido como sucessor de Carl Sagan e condutor da nova série “Cosmos”, trata de explicar (ou de tentar, já que ainda persistem mistérios) a origem do universo, das estrelas e planetas e dos seres vivos que habitam a Terra (ou que podem habitar outros planetas). Ele começa “meditando sobre a origem da ciência e a ciência das origens”.
Na primeira parte, começa por Spinoza, passa por Einstein e a Teoria da Relatividade, Newton e a gravidade, matéria e antimatéria, o surgimento da Luz, da matéria e energia escuras, e trata dos modelos do universo (ou universos). Da segunda à quarta partes, trata propriamente da origem das galáxias e das estruturas do universo, das estrelas e, algo já tratado até pelo filósofo Immanuel Kant, da mais intricada ainda origem dos planetas, dos asteroides e meteoroides. É então que ele aborda a origem da vida na Terra e da possibilidade de existência da vida fora dela – que tipo de “vida” pode existir fora da Terra? Considerando que mesmo na Terra já foram descobertos seres microscópicos que somente sobrevivem a dezenas de graus Celsius, como poderia ser esta vida fora da Terra? E ela poderia ser tão comum quanto a existência de outros planetas? Sem as peculiaridades do carbono ou da água (como seu ponto de densidade máxima, que está acima da temperatura de congelamento), há como se pensar florescimento da vida? E, falando em vida fora da Terra, Tyson aborda a questão de por que tanto se fala dos ETs, de abdução e da parapsicologia.
Um livro que abrange diversas áreas da ciência e da história, escrito por um cientista de vasto conhecimento, capaz de algumas “tiradas” muito boas e de explicações bem interessantes. Mas que, apesar de tratar de um tema que me é muito interessante, não me cativou como esperava. E ainda me deixou com alguns pontos de dúvida.

Publicado em História, Livros | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Internet das Coisas (IoT) e Eficiência Energética

Conceito

O termo “Internet das Coisas” (“Internet of Things”, IoT) ou “Internet de Tudo” (“Internet of Everything”) refere-se ao conceito de que todos os objetos computadorizados podem estar ligados entre si através do uso da internet, trocando informações e tomando ações em função das informações coletadas. Num exemplo fácil, um carro sem motorista poderia receber informações de sistemas de pedágio a respeito do trânsito e escolher a melhor estrada ou caminho para chegar a seu destino.
Assim como a Internet o foi no início dos anos 90, a Internet das Coisas é encarada pelo público leigo – e isto para os que a conhecem – como algo promissor, mas sem utilização concreta para o momento.

BAS (“Building Automation Systems”)

O conceito da Internet das Coisas pode ser aplicado aos edifícios, chegando aos BAS (“Building Automation Systems”), sistemas de automação predial e, com isto, todos os subsistemas prediais, tais como elétrico, ar condicionado, iluminação, rede de dados, controle de acessos, segurança física e patrimonial podem conversar entre si e proceder autonomamente à tomada de decisões relativas a cada um, em função das informações que coletaram dos outros sistemas. Desta forma, as respostas são inteligentes e integradas, podendo, inclusive, contar com sistemas preditivos – baseado em históricos, estatísticas e experiências adquiridas, somados aos parâmetros coletados de sensores, eles levarão à melhor ação. Por exemplo, o acionamento ou desligamento do ar condicionado, em função de ocupação e desocupação de ambientes, tempo de ausência de pessoas; o desligamento de equipamentos em standby; o fechamento de janelas, persianas etc.
Além disto, os sistemas podem ser autoadaptáveis em função de mudança de comportamento dos usuários das instalações.

Uma extensão do conceito são os sistemas de “área demarcada” ou “geofencing”, que, em função da presença do smartphone dos usuários cadastrados nas instalações, permitem, por exemplo, que iluminação e climatização sejam adaptadas de acordo com as preferências desses usuários, mas apenas quando eles estiverem a uma distância mínima do local. Ou, detectada a ausência de usuários por determinado tempo, procede-se ao desligamento de determinados equipamentos e poupa-se automaticamente energia. A aquisição da empresa de sensores inteligentes e interconectáveis Nest pela Google também está baseada nestes quesitos de economia.

A IoT pode permitir também que, através dos mecanismos expostos acima, nos horários de pico do consumo de energia elétrica, quando ela é mais cara, seja obtida uma diminuição da demanda, o que, para as concessionárias de energia, é uma enorme vantagem, pois não as obriga à expansão da rede instalada.

Cidades

Economia é a administração da escassez. E energia e água são elementos que, apesar de abundantes no Brasil, são paradoxalmente escassos, quer seja por questões de distribuição territorial destes recursos versus distribuição populacional, quer seja por questões de restrições ambientais. Por serem tratados como recursos ilimitados e estarem sujeitos a desperdício, é importante que os usuários mudem seu comportamento em relação a esses elementos.

Plataformas IoT de gerenciamento de energia, assim como a da HP (o Energy Management Pack), propõem-se a permitir aos serviços públicos tais como energia, água, gás e afins controlar oferta e demanda e permitir às próprias operadoras destes serviços atuar com medidas de eficiência energética sobre as instalações dos consumidores. Por exemplo, o consumidor permitindo (em sistema de “opt-in”), a própria rede pode desligar sistemas de iluminação e climatização em horários em que o edifício corporativo indica, através de seus sensores, que há desocupação.

Da mesma forma, o serviço público de água e esgoto pode determinar o corte da água de irrigação de escolas em função de os sensores de umidade detectarem chuva ou que os jardins já estão saturados de umidade. Ou, ainda, empresas de iluminação pública podem decidir automaticamente desligar parte das luzes de determinadas ruas em períodos sem trânsito de pedestres.

Obviamente estas soluções automatizadas trazem consigo novas questões: os sistemas são seguros ou podem sofrer interceptações e/ou interferências negativas? É aí que entram a habilidade e o conhecimento dos fabricantes dos sistemas para adicionar camadas de segurança e permitir-se ter o melhor desempenho possível com a máxima segurança.

Fontes:
1. http://www.govtech.com/fs/news/The-Internet-of-Things-Will-Thrive-On-Energy-Efficiency-.html
2. http://www.scientific-journal.com/articles/architecture_engineering.html
3. http://www.academia.edu/9369984/M._Casini_Internet_of_things_for_Energy_efficiency_of_buildings_ICAEE_2014_NICE
4. http://www.greenbiz.com/article/internet-things-platform-telcos

Publicado em Tecnologia, Tendências, TI / Informática | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

Controle Remoto

Conceito

O conceito clássico do controle remoto é o de um aparelho que emite comandos a serem executados por um aparelho localizado a uma certa distância do controle e que é dotado de um receptor para tais comandos.

Tipicamente, a emissão e consequente recepção ocorrem sem fio e através do uso de raios infravermelhos e o aparelho é um televisor ou algum outro eletrônico de consumo. Nos primeiros aparelhos televisores, controlavam-se apenas o volume e a troca de canais.

O que poucos sabem é que o conceito de controle remoto é anterior à existência da eletrônica de consumo: o primeiro de tais aparelhos foi utilizado pelo cientista Nikola Tesla no final do século XIX para controlar um barco – o “teleautômato” – por ondas de rádio.

Nos anos 30 do século passado, surgiram os primeiros modelos de rádio dotados de controle remoto, inicialmente através de fios, depois através de radiofrequência. O primeiro controle remoto para TV foi desenvolvido pela Zenith Radio Corporation, isto já nos anos 50.

O conceito de controle remoto foi expandido para outras esferas da eletrônica com a companhia CL9, do cofundador da Apple Steve Wozniak. A ideia por trás do novo conceito era a de que o remoto poderia “aprender” os sinais de comando de diversos dispositivos, recebendo códigos de software atualizados através da ligação do controle a um computador.

Universalização

Com o surgimento de equipamentos mais complexos, como os home theaters, por exemplo, passou-se a ter mais de diversos controles remotos em uso (receptor de cabo/satélite, VCR, DVD player, TV, amplificador, Blu-ray). Esta multiplicidade de controles pode tornar confuso seu uso concomitante e passou a fazer mais sentido o conceito dos controles remotos universais, como o de Steven Wozniak – dispositivos únicos seriam capazes de controlar diversos equipamentos.

Mais à frente, já no século XXI, a introdução de software de controle remoto de diversos equipamentos em smartphones e tablets permitiu a estes tornar-se controles remotos universais, mais uma vez diminuindo a quantidade de equipamentos de que o usuário tem que se valer para comandar seus eletrônicos. O controle passou a ser feito por ondas de rádio (tecnologia Wi-Fi, Bluetooth ou outras), utilizando-se, quando necessário, interface infravermelho para os aparelhos que trabalhem com esta faixa de frequências. Interfaces gráficas amigáveis baseadas essencialmente em Windows, iOS ou Android e operadas através de touchscreens (teclados virtuais) são responsáveis pela emissão de comandos.

Depois vieram o reconhecimento de gestos/sensor de movimento (como o Kinect), reconhecimento de voz ou – ainda em fase mais embrionária – das ondas cerebrais.

No que tange à distância a partir da qual é possível se controlar remotamente os equipamentos, a conexão à internet ou a uma interface de telefone celular possibilita que se tenha um controle remoto universal de alcance intercontinental.

Desta forma, no caso da automação residencial (ou corporativa), pode-se ter uma única interface controlando equipamentos de iluminação, sonorização, climatização, home theaters e outros, a partir de qualquer ponto do planeta.

(Fontes: http://en.wikipedia.org/wiki/Remote_control  e http://pt.wikipedia.org/wiki/Controlo_remoto)

Publicado em Tecnologia, Tendências, TI / Informática | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

Iluminação a LED

Essencialmente, o LED (Light Emitting Diode, ou Diodo Emissor de Luz) é um semicondutor (isto é, um material a meio caminho entre um condutor e um isolante) emissor de luz. Quando se aplica uma tensão a seus terminais, ele gera energia na forma de luz, visível ou não (dependendo das características do diodo).

LED2

Os primeiros diodos

As primeiras experiências com emissão de luz a partir da aplicação de corrente elétrica a um material (eletroluminescência) ocorreram em 1907, mas apenas 20 anos depois foi relatada a criação do primeiro LED. Mais 35 anos seriam necessários para que se patenteasse o primeiro dispositivo do tipo.
As primeiras aplicações comerciais do diodo foram como lâmpadas-piloto, no lugar das de neon e incandescentes, e também como displays digitais.

O LED na iluminação

Com o barateamento da tecnologia de produção de LEDs, o aumento de sua eficiência e emissão luminosa, eles passaram a ter novas aplicações, chegando aos dias de hoje, onde o LED substitui com vantagens as lâmpadas incandescentes e fluorescentes.

Comparativamente às outras formas de geração de luz, os LEDs:
• Têm maior rendimento/eficiência
• Emitem menos calor, aquecendo menos o ambiente e, assim, evitando também o uso de ar condicionado
• Têm maior vida útil e, quando falham, é mais provável que fiquem fracos do que apaguem de vez.
• Pela maior vida útil, os custos com a mão-de-obra de trocas diminui
• Permitem melhor focalização da luz
• Fornecem maior variedade de cores sem ter que se apelar para o uso de filtros
• Têm chaveamento mais rápido, ou seja, o tempo de ligamento e desligamento e entrada em funcionamento pleno é mais curto
• Não sofrem desgaste com comandos de liga e desliga
• São mais resistentes a choques mecânicos
• Danificam menos os materiais expostos a sua luz, tais como tecidos
• Permitem mais efeitos decorativos
• São mais compactos, economizando no transporte e armazenagem
• Seu descarte polui menos

Apesar de ainda serem relativamente caros, sua relação custo-benefício é tal que uma instalação a LED acesa durante 24 h por dia pode se pagar em um ano ou menos.

Utilização

O LED tem sido utilizado não apenas na iluminação corporativa e residencial, mas também em semáforos, iluminação pública e de túneis, gerando maior economia não só pelo menor consumo de eletricidade, mas pela menor necessidade de reposição, gerando menores custos com equipes de manutenção.

Na iluminação de palco, o LED provoca menor aquecimento, diminuindo o incômodo dos que ficam sob sua luz.

Lanternas de veículos estão adotando o LED, que ilumina melhor, tem maior durabilidade e que consome menos bateria.

As câmeras de visão noturna fazem imagens de alta resolução auxiliadas por LEDs infravermelhos.

Nos televisores LED, este substitui com vantagem a iluminação de fundo necessária nos TVs LCD tradicionais, feita com lâmpadas fluorescentes (na realidade, os chamados televisores LED são TVs LCD com iluminação a LED). O mesmo aplica-se aos monitores de notebooks e computadores. Mas já há no mercado painéis iluminados somente a LED (no momento, mais utilizados em shows ou locais de grande concentração e que exijam telas de grandes dimensões).

Tendências – OLED

O OLED, ou LED orgânico, é uma tendência tecnológica. No lugar de elemento semicondutor, como o silício, é um LED que trabalha com compostos orgânicos. É com esse tipo de LED que estão surgindo no mercado os displays flexíveis de TV, displays enroláveis.

É o começo de uma nova revolução.

Publicado em Tecnologia, Tendências | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Apple, Google, Microsoft, Samsung e a Automação Residencial

Automação residencial

Automação residencial é aquilo que lhe dá a habilidade de controlar sua casa, das portas às janelas, da geladeira à banheira, do som e luzes ao alimentador automático de pets através de comandos por teclados, touchpads ou mesmo por voz. Tudo interligado, de modo que um comando desencadeie uma série de ações simultâneas ou em sequência, conforme programado. E, através da internet, tem-se o controle desta sequência toda de qualquer lugar do mundo que tenha acesso à rede mundial.

É a este tipo de residência que se dá o nome de smart home (casa inteligente). E esta interligação de dispositivos diversos através da rede das redes é o que se denomina Internet das Coisas (ou Internet de Todas as Coisas), a IoT.

Os players

A Nest, empresa fundada por ex-funcionários da Apple, Logitech e outras grandes empresas, fabrica termostatos e detectores de fumaça e dióxido de carbono inteligentes, que podem funcionar comandados de forma centralizada, trazendo “economia de energia, conforto e segurança”, como anunciam. Não muito diferente de outros do mercado, não fosse o fato de os aparelhos da Nest terem um design atraente e funcionarem muito bem. Mas agora a Nest é Google…

A Google vai além com o Google Nearby, seu rastreamento inteligente, permitindo a “pessoas, lugares e coisas saberem que você está próximo e interagir de acordo com o contexto”. Nas residências, isto permitiria o acendimento de luzes e o ajuste de diversos eletrodomésticos, mas apenas quando você estivesse próximo de casa; ou a abertura automática do portão da garagem, por exemplo.

A Apple oferece algo na mesma linha, o HomeKit, que transforma o iPhone num controle remoto para sistemas de aquecimento, alarmes e eletrodomésticos, por exemplo.

Já a Microsoft criou uma aceleradora de negócios para auxiliar startups que ela julga promissoras, a Microsoft Ventures. Um dos alvos são justamente as empresas do ramo de automação residencial. A ideia é não somente encorajar empresas de hardware para automação, mas também as que focam no software.

E, aos que dizem que a Microsoft chegou “na cola” da Apple ou do Google, ela lembra que já vem trabalhando nisto há anos – como mostra um vídeo de 1999, sobre a Microsoft SmartHome.

Outro grande player, a Samsung, não quer ficar de fora e parece estar em vias de adquirir a SmartThings, startup com dois anos de existência, num negócio avaliado em US$ 200 milhões. E o que faz a SmartThings? Dispositivos que controlam fechaduras, aparelhos de som, cafeteiras e outros dispositivos espalhados pelas residências. Com isto, a empresa coreana teria um portfólio completo para o que eles apropriadamente chamam de ecossistema Smart Home.

E o que ganham eles?

Mas o que essas empresas almejam com essas aquisições e investimentos? Simples. Com nossas casas conectadas integralmente, elas terão acesso a preciosas informações sobre o que consumimos, o que assistimos, enfim, nosso modo de vida e nossos gostos.

Outro ponto é a diversificação de negócios e a possibilidade de aumentar a gama de utilização dos produtos que elas já vendem. Assim, por exemplo, a Samsung poderia vender seus smartphones para que servissem de central de controle de automação, que conectariam os diversos equipamentos da casa, inclusive suas próprias geladeiras, micro-ondas etc.

Artigos sugeridos:

Publicado em Tecnologia, Tendências | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A automação residencial no século 21

 

“Quando a exposição de Paris se encerrar, ninguém mais vai ouvir falar em luz elétrica.” (Erasmus Wilson, Universidade de Oxford, 1879)
“O fonógrafo não tem nenhum valor comercial” (Thomas Edison, ao inventar o precursor do toca-discos, 1880)
“A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando para sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso.” (The New York Times, na apresentação do protótipo do televisor, 18/04/39)
“Não há razão para qualquer indivíduo ter um computador em casa” (Ken Olsen, presidente da DEC – Digital Equipment Corporation, 1977. A empresa, pioneira no mercado da computação, virou parte do passado)
“Acredito que há mercado mundial para cerca de cinco computadores.” (Além de, conscientemente ou não, ter colaborado com a máquina de extermínio nazista, Tomas J. Watson, presidente da IBM, teria errado mais uma vez ao supostamente fazer este vaticínio em 1943; a favor da IBM, há o fato de ela ter lançado o PC, o computador pessoal, em 1981).

Os futurólogos que atuam na área da tecnologia vivem no pior e no melhor dos mundos hoje em dia. Se, por um lado, eles podem arriscar prever inventos e soluções das mais variadas espécies sem o risco de errar muito – parece que nem o céu é o limite –, por outro eles podem acabar por lançar suas fichas em soluções de sucesso efêmero ou de fracassam veloz, desmentindo-os rapidamente. Ou eles podem nem se dar conta do brilho de determinadas invenções. Exemplo famoso dos dois lados da moeda é o de Bill Gates, que, em 2010, proferiu que “Não há nada no iPad para que eu olhe e diga: gostaria que a Microsoft o tivesse feito… o netbook será o produto dominante desta área, por envolver alguma mistura de voz, a caneta e um verdadeiro teclado”. O iPad não teria sido o orgulho da Microsoft? E o netbook, quem se lembra dele?

Previsões desastradas hoje transparecem rapidamente – por vezes, em questão de poucos meses, como no caso de Steve Ballmer, da Microsoft, que em 2007 comentou a respeito do recém-lançado iPhone: “500 dólares?! Totalmente subsidiado através de um plano de telefonia? Eu digo que esse é o telefone mais caro do mundo e não tem apelo para clientes empresariais porque não tem um teclado, o que faz com que não seja uma boa máquina para e-mail.” Em dois meses e meio, 1 milhão de unidades do iPhone foram vendidas.

Robert Metcalfe, um dos inventores da Ethernet e fundador da 3Com, previu em 1995 o colapso próximo da internet. Acertou? Nem de longe. Com o novo protocolo IPv6, cada dispositivo na Terra pode ter seu endereço próprio. Em vez do colapso, temos a possibilidade da expansão da rede das redes e da efetivação da chamada Internet de todas as Coisas (IoT), com todos objetos trocando informações entre si através da internet, bastando estarem todos equipados com pequenos transmissores.

Há os especialistas que acreditam no futuro dos dispositivos vestíveis, como óculos, relógios etc. como responsáveis pela popularização da IoT e também há os que não creem que isto seja mais que um modismo. De qualquer forma, é certo que dispositivos como os de iluminação, sonorização e climatização, hoje já facilmente integráveis, trocarão informações entre si através da mesma rede e pelo mesmo sistema centralizado por onde você poderá comandar o preparo do café em sua cafeteira inteligente e disparar um pedido de compra no supermercado, baseando-se no levantamento de estoque feito pela sua geladeira, que não somente contabilizará os produtos, como indicará os que estão próximos de sua data de validade.

Vidros que mudam de estado opaco para transparente em função de regras de automação e/ou de incidência de luz solar na edificação se comunicarão com a central de comando, permitindo o controle eficiente da iluminação e temperatura do local, dispensando cortinas e persianas e podendo até evitar o acionamento do ar condicionado.  Opcionalmente, imagens poderão ser projetadas nos vidros, dispensando telas de projeção ou monitores.

Isto tudo somado à Automação Baseada em Comportamento (ABC), uma forma de automação adaptável, onde as regras de comportamento do sistema aprendem e se adaptam à rotina do usuário. Sua preferência de temperatura do ar condicionado mudou? O sistema vai perceber que esta alteração está se tornando uma constante e, a partir de certo momento, vai estabelecer isto como uma nova regra.  Um padrão predefinido no sistema está sendo constantemente alterado pelo usuário? Não há problema, o sistema agora saberá que aquela regra perdeu o valor.

Os ambientes nos conhecerão e reconhecerão e haverá muita comunicação e tráfego de informações a respeito de nossas rotinas. Mas e a nossa privacidade? Assunto para outra discussão…

Publicado em Uncategorized | Marcado com | Deixe um comentário