Você é contra novas tecnologias?

“Tudo o que podia ser inventado já o foi” e, disto isto, (quase) foi decretado o fim do Escritório de Patentes dos EUA, em 1899.

Tecnologias. Derivada do grego, a palavra tecnologia (“o estudo da técnica ou da arte”) abarca as ferramentas (máquinas e utensílios) e o conhecimento das técnicas e processos envolvidos na solução de problemas.

Luditas. Início do século XIX, primórdios da revolução industrial. Um movimento na Inglaterra propunha a destruição das máquinas, por crer que, sendo elas mais eficientes que os homens, elas eram responsáveis pela eliminação de postos de trabalhos e por submeter os trabalhadores remanescentes a pesadas jornadas de trabalho. Foi criado um personagem para disseminar os ideais do movimento, o lendário Ned Ludd – daí o termo luditas. Fábricas e máquinas chegaram a ser efetivamente destruídas e, apesar de o tempo ter mostrado que as máquinas criaram novas modalidades de trabalho e que geraram a excelente contrapartida de exigir qualificação da mão-de-obra – num infindável ciclo virtuoso –, ainda hoje se podem encontrar adeptos do neo-ludismo.

Invenções. “Tudo o que podia ser inventado já o foi”, teria dito Charles H. Duell, diretor do Escritório de Patentes dos EUA em 1899 e, com isto, decretado o fim da necessidade da existência de tal escritório. Há discussões sobre se a frase seria ou não apócrifa, mas, de qualquer modo, ela deixa patente (com o perdão do trocadilho) o quão absurdo é limitar a capacidade criativa do ser humano. Sem a perspectiva da patente – e da remuneração a ela correspondente – a criatividade fica inibida. E, assim, quantos inventos teriam deixado de existir, tivesse a extinção do escritório de patentes americano vingado?

 

Luditas, invenções, inovações e tecnologia.

Perdi a conta de quantas vezes já mudei de ideia modifiquei este texto, alterando recriando trechos até gerar esta versão que vocês lêem agora. Digamos que eu fosse um ludita. Talvez eu estivesse escrevendo esta pauta com o auxílio de pena de ganso. Ou, quem sabe, com talos de bambu… Ou, como extrema concessão, numa máquina de escrever. A cada par de errros erros, eu teria que refazer o texto e adeus produtividade, adeus tempo…

Tecnologias, invenções, inovações… Elas não param por aí. Como você resolve a questão de seus pagamentos bancários? Dirigindo-se à agência bancária (ou a um caixa eletrônico) ou através de internet banking? O risco de fraudes na internet certamente não é desprezível. Porém, dirigir-se pessoalmente à agência bancária ou a um caixa eletrônico significa enfrentar filas e riscos de assalto. Qual sua opção?

E-mails com spams e excesso de uso de redes sociais e de e-mails para fins não relacionados ao trabalho podem causar perda de produtividade. Pessoas mal intencionadas podem se utilizar da engenharia social (assunto que será abordado em outro artigo) e provocar fraudes e perdas financeiras volumosas. Mas e o tempo ganho com estas modalidades de comunicação eletrônica? E-mails, redes sociais e sistemas como o Skype colocam-nos rapidamente em contato com parentes, amigos e colegas distantes; vídeoconferências poupam tempo e evitam longas viagens.

Por outro lado, o imediatismo passou a ser uma exigência na convivência ou no trabalho conjunto. Se antigamente esperava-se por dias ou semanas para obter uma interação (a geração “carta”), passou-se esperar que ela ocorresse em horas (a geração “telegrama/fax”) e, agora, a expectativa é de minutos, senão segundos (a geração dos e-mails e, cada vez mais, dos comunicadores instantâneos). Já entramos na era dos sensores de movimento e pensamento. Vantagens e desvantagens competem entre si…

Claro, há de se encontrar quem seja contra novas tecnologias… Mas que dirija seu carro… E o que diria esta pessoa dos airbags, freios ABS, sensores que avisam sobre pneus sem pressão adequada, sensores de estacionamento, espelhos retrovisores que avisam sobre a aproximação de veículos nos pontos cegos? Rejeitaria estes avanços se pudesse pagar por eles?

As áreas onde as inovações são incorporadas não param por aí. Imagine-se no supermercado; seu carrinho de compras aproxima-se do caixa. Você faz menção de retirar os produtos e colocá-los na esteira, para que o caixa proceda à leitura dos códigos de barra. Mas, antes que você o faça, sensores de RFID já leram todas as minúsculas etiquetas dos produtos que você comprou e totalizaram a compra (e, de quebra, já notificaram o setor de estoque do supermercado e ativaram o departamento de compras para as necessárias reposições). Há riscos envolvidos nesta tecnologia? Há, é claro. Teoricamente, os produtos poderiam ser rastreados até sua casa. Mas é a tecnologia que, novamente, pode evitar estes riscos, desativando as etiquetas.

Algumas invenções surgem da necessidade; outras surgem sem que se saiba num primeiro momento onde poderão ser utilizadas. Se a necessidade é mãe da invenção ou o contrário, isto pouco importa, o que vale são os progressos alcançados.

E, apesar dos conflitos regionais, do fanatismo e do terrorismo presentes no mundo atual, multiplicados pela sofisticação das armas cada vez mais destrutivas criadas pelo progresso tecnológico, o mesmo progresso é que traz a evolução na área da saúde, da alimentação, do conforto pessoal e da qualidade no trabalho.

Ao fim e ao cabo, a humanidade caminha em direção ao progresso. É inevitável. Hoje, os netos fazem a programação do smartphone topo de linha do vovô. O que farão os netos de nossos netos?

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Sobre Roberto Blatt

Sou formado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), tenho M.S. in Computer Systems and Information Technology pela Washington International University e MBA em Administração de Empresas pela FGV. Tenho mais de 25 anos de experiência profissional na área Administrativa Financeira, desenvolvidos em empresas nacionais e multinacionais dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e serviços, vivenciando inclusive o start-up, dentro dos aspectos administrativos e financeiros e tendo atuado na gestão de equipes das áreas Administrativa, RH e Pessoal, TI, Financeira, Comunicação e Compras. Professor no Pós-Admn da FGV em Liderança & Inovação e Gestão de Pessoas. Para acessar meu blog com comentários e críticas sobre cinema, cliquem aqui ou, para artigos sobre Administração, Tecnologi a eresenhas de livros, em aqui .
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