Automação residencial e acessibilidade

Engº Roberto Blatt

Automação residencial (ou “domótica”) remete a modernidade, economia e conforto (ou comodidade). Mas podemos ir um pouco além e adentrar o campo da acessibilidade, ou a capacidade que se dá a usuários com deficiência de habilidades técnicas, físicas, cognitivas (de percepção, memória, raciocínio), tais como idosos e portadores de necessidades especiais, de utilizar instalações ou equipamentos independentemente de tais deficiências. Significa adaptar o acesso à utilização das instalações a pessoas com limitações físicas temporárias ou permanentes.

Neste sentido, a automação residencial pode oferecer uma enorme gama de soluções que facilitam a vida dos usuários de um ambiente ou instalação. Facilitar a vida passa a ser tornar tais ambientes e instalações mais “acessíveis” a quem deles se utiliza.

Trata-se de um tema atual e facilmente percebe-se um aumento da preocupação de arquitetos, decoradores, engenheiros e demais elementos ligados à construção com o aspecto da acessibilidade nas construções. Não se trata de modismo ou de se obter uma certificação de acessibilidade, mas de uma preocupação efetiva com as fragilidades de possíveis usuários – principalmente por conta do envelhecimento da população.

Se até o início do século XX a expectativa de vida humana no mundo ocidental era de 40 anos, a descoberta de medicamentos diversos e o aumento dos cuidados com a higiene proporcionou à Humanidade a extensão – praticamente a duplicação – desta expectativa. E, com o envelhecimento populacional, surgiram diversas deficiências relacionadas à idade, tais como problemas de esquecimento, acidentes domésticos, como quedas e fraturas, hoje ocorrendo com frequência muito maior que há algumas décadas.

Tornar um ambiente acessível significa não somente a colocação de barras de apoio, tapetes antiderrapantes, cadeiras elevatórias, assentos sanitários adaptados ou deslocamento de interruptores, mas também o acendimento automático de luzes noturnas que indiquem o caminho para o banheiro, o desligamento automático do enchimento de uma banheira quando a água atingir um certo nível, o acionamento remoto de uma persiana ou cortina, a simplificação do acionamento de diversos (e por vezes confusos) controles para a utilização de um home theater.

Mais ainda, trata-se do acionamento de sistemas de alarme quando for percebida uma queda de um morador ou uma longa ausência de movimento dentro de um ambiente (como um dormitório). E tudo isto de forma não apenas remota (a partir de uma cama, maca ou cadeira de rodas, por exemplo), o que configuraria apenas “acionamento remoto”, mas também através do resultado da medição de sensores de presença ou ausência, temperatura, umidade. Ou seja, uma combinação de leituras que permite a tomada de decisões inteligentes e convenientes, inclusive remotamente.

A habilidade de controlar a iluminação através da tela de um tablet ou de um smartphone, por comandos de voz, ou ainda através de uma moderna interface cérebro-computador (Brain-Computer Interface ou BCI em inglês – ver
http://informatica.hsw.uol.com.br/interface-cerebro-computador.htm), permite que se obtenham diversas soluções que atendam aos diversos tipos de necessidades especiais.

No caso de uma pessoas com deficiência auditiva, abrir a porta para visitas pode ser uma tarefa árdua, a começar pelo fato de que o deficiente pode nem ouvir a campainha. Já para os que têm dificuldade de locomoção, pode ser difícil de se chegar até a porta. Um sistema automatizado de porta pode incluir uma fechadura eletrônica sem fio combinada a um sistema de vídeo-porteiro, de tal modo que um alerta telefônico é emitido assim que a campainha da porta é tocada, levando o deficiente a acessar o sistema de vídeo com um simples toque na tela, permitindo a conversa com o visitante e a abertura da porta também a um só toque remoto.

É no sentido de se tornar inteligente o acionamento dos sistemas, de modo a proporcionar uma verdadeira acessibilidade, que a automação residencial ou predial pode contribuir de forma efetiva.

Roberto Blatt é sócio-diretor da ALLTOMATIC® – Soluções em Energia e Automação

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Sobre Roberto Blatt

Sou formado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), tenho M.S. in Computer Systems and Information Technology pela Washington International University e MBA em Administração de Empresas pela FGV. Tenho mais de 25 anos de experiência profissional na área Administrativa Financeira, desenvolvidos em empresas nacionais e multinacionais dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e serviços, vivenciando inclusive o start-up, dentro dos aspectos administrativos e financeiros e tendo atuado na gestão de equipes das áreas Administrativa, RH e Pessoal, TI, Financeira, Comunicação e Compras. Professor no Pós-Admn da FGV em Liderança & Inovação e Gestão de Pessoas. Para acessar meu blog com comentários e críticas sobre cinema, cliquem aqui ou, para artigos sobre Administração, Tecnologi a eresenhas de livros, em aqui .
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