Internet das Coisas (IoT) e Eficiência Energética

Conceito

O termo “Internet das Coisas” (“Internet of Things”, IoT) ou “Internet de Tudo” (“Internet of Everything”) refere-se ao conceito de que todos os objetos computadorizados podem estar ligados entre si através do uso da internet, trocando informações e tomando ações em função das informações coletadas. Num exemplo fácil, um carro sem motorista poderia receber informações de sistemas de pedágio a respeito do trânsito e escolher a melhor estrada ou caminho para chegar a seu destino.
Assim como a Internet o foi no início dos anos 90, a Internet das Coisas é encarada pelo público leigo – e isto para os que a conhecem – como algo promissor, mas sem utilização concreta para o momento.

BAS (“Building Automation Systems”)

O conceito da Internet das Coisas pode ser aplicado aos edifícios, chegando aos BAS (“Building Automation Systems”), sistemas de automação predial e, com isto, todos os subsistemas prediais, tais como elétrico, ar condicionado, iluminação, rede de dados, controle de acessos, segurança física e patrimonial podem conversar entre si e proceder autonomamente à tomada de decisões relativas a cada um, em função das informações que coletaram dos outros sistemas. Desta forma, as respostas são inteligentes e integradas, podendo, inclusive, contar com sistemas preditivos – baseado em históricos, estatísticas e experiências adquiridas, somados aos parâmetros coletados de sensores, eles levarão à melhor ação. Por exemplo, o acionamento ou desligamento do ar condicionado, em função de ocupação e desocupação de ambientes, tempo de ausência de pessoas; o desligamento de equipamentos em standby; o fechamento de janelas, persianas etc.
Além disto, os sistemas podem ser autoadaptáveis em função de mudança de comportamento dos usuários das instalações.

Uma extensão do conceito são os sistemas de “área demarcada” ou “geofencing”, que, em função da presença do smartphone dos usuários cadastrados nas instalações, permitem, por exemplo, que iluminação e climatização sejam adaptadas de acordo com as preferências desses usuários, mas apenas quando eles estiverem a uma distância mínima do local. Ou, detectada a ausência de usuários por determinado tempo, procede-se ao desligamento de determinados equipamentos e poupa-se automaticamente energia. A aquisição da empresa de sensores inteligentes e interconectáveis Nest pela Google também está baseada nestes quesitos de economia.

A IoT pode permitir também que, através dos mecanismos expostos acima, nos horários de pico do consumo de energia elétrica, quando ela é mais cara, seja obtida uma diminuição da demanda, o que, para as concessionárias de energia, é uma enorme vantagem, pois não as obriga à expansão da rede instalada.

Cidades

Economia é a administração da escassez. E energia e água são elementos que, apesar de abundantes no Brasil, são paradoxalmente escassos, quer seja por questões de distribuição territorial destes recursos versus distribuição populacional, quer seja por questões de restrições ambientais. Por serem tratados como recursos ilimitados e estarem sujeitos a desperdício, é importante que os usuários mudem seu comportamento em relação a esses elementos.

Plataformas IoT de gerenciamento de energia, assim como a da HP (o Energy Management Pack), propõem-se a permitir aos serviços públicos tais como energia, água, gás e afins controlar oferta e demanda e permitir às próprias operadoras destes serviços atuar com medidas de eficiência energética sobre as instalações dos consumidores. Por exemplo, o consumidor permitindo (em sistema de “opt-in”), a própria rede pode desligar sistemas de iluminação e climatização em horários em que o edifício corporativo indica, através de seus sensores, que há desocupação.

Da mesma forma, o serviço público de água e esgoto pode determinar o corte da água de irrigação de escolas em função de os sensores de umidade detectarem chuva ou que os jardins já estão saturados de umidade. Ou, ainda, empresas de iluminação pública podem decidir automaticamente desligar parte das luzes de determinadas ruas em períodos sem trânsito de pedestres.

Obviamente estas soluções automatizadas trazem consigo novas questões: os sistemas são seguros ou podem sofrer interceptações e/ou interferências negativas? É aí que entram a habilidade e o conhecimento dos fabricantes dos sistemas para adicionar camadas de segurança e permitir-se ter o melhor desempenho possível com a máxima segurança.

Fontes:
1. http://www.govtech.com/fs/news/The-Internet-of-Things-Will-Thrive-On-Energy-Efficiency-.html
2. http://www.scientific-journal.com/articles/architecture_engineering.html
3. http://www.academia.edu/9369984/M._Casini_Internet_of_things_for_Energy_efficiency_of_buildings_ICAEE_2014_NICE
4. http://www.greenbiz.com/article/internet-things-platform-telcos

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Sobre Roberto Blatt

Sou formado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), tenho M.S. in Computer Systems and Information Technology pela Washington International University e MBA em Administração de Empresas pela FGV. Tenho mais de 25 anos de experiência profissional na área Administrativa Financeira, desenvolvidos em empresas nacionais e multinacionais dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e serviços, vivenciando inclusive o start-up, dentro dos aspectos administrativos e financeiros e tendo atuado na gestão de equipes das áreas Administrativa, RH e Pessoal, TI, Financeira, Comunicação e Compras. Professor no Pós-Admn da FGV em Liderança & Inovação e Gestão de Pessoas. Para acessar meu blog com comentários e críticas sobre cinema, cliquem aqui ou, para artigos sobre Administração, Tecnologi a eresenhas de livros, em aqui .
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