Automação Residencial Assistiva

Definição e Parâmetros

A terminologia Tecnologia Assistiva começou a tomar vulto inicialmente em 1988, dentro de uma legislação norte-americana criada para “promover a provisão de assistência tecnológica para indivíduos com deficiências e para outros propósitos”, a Public Law 100-407. [1]

A Tecnologia Assistiva pode ser definida como “uma ampla gama de dispositivos, serviços, estratégias e práticas que são concebidas e aplicadas para amenizar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências” (Cook & Hussey, Assistive Technologies: Principles and Practices,1995). O intuito final é aumentar a autonomia, segurança e conforto de quem a utiliza, gerando mais confiança para as tarefas no dia a dia o que, como consequência, diminui também as dificuldades psicológicas destas pessoas.

A partir das características das deficiências do usuário (deficiência de mobilidade, visual, audição, fala, cognitiva ou fragilidades devidas à idade avançada) e do universo no qual está situado (tipo de residência, dimensão da família, rotinas e outros aspectos), traçam-se os parâmetros para definir o tipo de assistência que terá de ser implantada.

Há de se notar que este planejamento tende a atingir cada vez mais idosos, devido ao aumento da expectativa de vida e à diminuição do tamanho das famílias, com mais e mais idosos passando a residir sozinhos e com pouco suporte familiar.

Controles

Monitorando-se atividades cotidianas e detectando-se diferenças no comportamento esperado do usuário, pode-se suspeitar de algo de errado ocorrendo na residência. Por exemplo, se o morador deixa de apertar um botão ou executar uma outra ação pré-determinada qualquer, dispara-se um alarme numa central de assistência remota e/ou na casa de um parente.

E esse mesmo sistema de Automação Assistiva vai regular a iluminação e climatização dos ambientes de acordo com o horário, a temperatura externa ou outros parâmetros quaisquer que se desejem.

Mais ainda, o sistema automatizado pode detectar a movimentação do usuário à noite e provê-lo de iluminação suave mas suficiente para que ele se desloque para a cozinha ou banheiro.

Benefícios e Custos

Se os gastos com Automação Residencial Assistiva implicam num acréscimo de valor no custo da construção ou no retrofitting de uma residência, este valor certamente será inferior ao de se manter deficientes ou idosos em estabelecimentos especializados. Em outras palavras, a Tecnologia Assistiva é conveniente e econômica para o Estado por prover deficientes e idosos de todos os meios necessários para que possam ter em suas residências a estrutura adequada para usufruírem de todos os cuidados necessários, sem ter que recorrer a estruturas exteriores, poupando o Estado de ter que criar e manter tais estruturas (de saúde e suporte terapêutico, essencialmente), que tendem a ser onerosas.

E não são somente os ganhos para o Estado e os usuários diretos da Automação Assistiva que devem ser considerados, mas também o que todas as partes interessadas ganharão com estas tecnologias em termos de tranquilidade e conforto.

Sugestão de Leitura
http://www.academia.edu/3033398/Utilizacao_de_domotica_na_estrategia_de_sustentabilidade_social_e_ambiental

[1] http://www.gpo.gov/fdsys/pkg/STATUTE-102/pdf/STATUTE-102-Pg1044.pdf
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Eficiência Luminosa

Conceito

Eficiência (ou rendimento) luminosa é um parâmetro que indica quão eficientemente uma fonte luminosa converte a energia que recebe (por exemplo, energia elétrica) em luz. Ela relaciona o fluxo luminoso (em lúmens) [1] emitido pela fonte em relação à potência despendida para alimentá-la (normalmente medida em watts).

Fatores

Alguns dos fatores que determinarão o quanto determinado ponto será iluminado são o formato da lâmpada (por exemplo, lâmpadas compactas espirais têm aproveitamento mais eficiente da luz que as compactas tradicionais, por terem maior superfície e maior volume de gás) e o tipo de luminária (por exemplo, a utilização de folhas de alumínio como refletores na parte interna da luminária melhora o aproveitamento da luz emitida).

Mas o fator preponderante na escolha da lâmpada passou a ser a tecnologia utilizada na confecção das lâmpadas. Para iluminação doméstica e corporativa há essencialmente três tipos delas: a tradicional incandescente (com filamento de tungstênio em um bulbo de vidro com vácuo e cuja produção vai sendo gradativamente proibida mundo afora), as fluorescentes de geração mais moderna (compactas e as tubulares T5) e as lâmpadas a LED.[2]

Quanto às lâmpadas compactas, as de uso residencial têm reator integrado e as de uso comercial, reator não integrado ao corpo da lâmpada. A lâmpada com reator integrado facilita a substituição do conjunto e tem a mesma eficiência luminosa, porém pode significar um desperdício, considerando que a vida útil da lâmpada é menor que a do reator. Numa instalação comercial, onde há mais mão-de-obra disponível, é mais conveniente o uso da lâmpada compacta com reator não integrado.

Consumo, vida útil e custo-benefício

Lampadas incandescentes vao sumir do mercado - Veja SP - 04set13

Fonte: http://vejasp.abril.com.br/materia/lampadas-incandescentes (30/08/13)

Complementando o infográfico acima, temos a vida útil das lâmpadas fluorescentes tubulares pode chegar a: 

    • T10 (as tradicionais tubulares de 40 W, por exemplo) e T8 (16, 18, 32, 36 W) – 7.000 a 10.000 h
    • T5 (menores e mais modernas, de 14, 25, 28, 50 e 56 W) – 24.000 h

Quanto às lâmpadas baseadas em LED, se elas ainda têm um custo inicial elevado – que vai caindo drasticamente conforme elas se massifica a produção – sua eficiência luminosa pode chegar a três ou quatro vezes a da lâmpada fluorescente e mais de 10 vezes a da incandescente. Além disto, sua vida útil chega a ser 50 vezes maior que a da incandescente e elas permitem uma maior flexibilidade na criação de modelos de luminárias.

O ROI (retorno sobre investimento) através do uso de iluminação a LED é mais facilmente mensurável em hotéis, onde as lâmpadas costumam ficar acesas em regime 24×7 e as equipes de manutenção têm custo elevado.

Embora o ROI ainda não seja algo tão simples de se calcular em residências, devido à variedade de tipos e usos das lâmpadas, há um ganho perceptível pelo fato de que as lâmpadas a LED não provocam aquecimento do ambiente de maneira tão intensa quanto as lâmpadas incandescentes ou fluorescentes, pois o calor produzido pelo LED não está na luz emitida, mas apenas no corpo da lâmpada. E menor aquecimento do ambiente reflete-se também em maior eficiência energética.

 

[1] Enquanto a medição em lúmens se refere à quantidade de luz emitida pela fonte em todas as direções, a medição em lux avalia a quantidade de luz recebida em determinado ponto.

[2] LED é um diodo emissor de luz, é um semicondutor comumente utilizado em displays indicadores e que passou a ser aplicado também para fins de iluminação).

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Automação residencial e acessibilidade

Engº Roberto Blatt

Automação residencial (ou “domótica”) remete a modernidade, economia e conforto (ou comodidade). Mas podemos ir um pouco além e adentrar o campo da acessibilidade, ou a capacidade que se dá a usuários com deficiência de habilidades técnicas, físicas, cognitivas (de percepção, memória, raciocínio), tais como idosos e portadores de necessidades especiais, de utilizar instalações ou equipamentos independentemente de tais deficiências. Significa adaptar o acesso à utilização das instalações a pessoas com limitações físicas temporárias ou permanentes.

Neste sentido, a automação residencial pode oferecer uma enorme gama de soluções que facilitam a vida dos usuários de um ambiente ou instalação. Facilitar a vida passa a ser tornar tais ambientes e instalações mais “acessíveis” a quem deles se utiliza.

Trata-se de um tema atual e facilmente percebe-se um aumento da preocupação de arquitetos, decoradores, engenheiros e demais elementos ligados à construção com o aspecto da acessibilidade nas construções. Não se trata de modismo ou de se obter uma certificação de acessibilidade, mas de uma preocupação efetiva com as fragilidades de possíveis usuários – principalmente por conta do envelhecimento da população.

Se até o início do século XX a expectativa de vida humana no mundo ocidental era de 40 anos, a descoberta de medicamentos diversos e o aumento dos cuidados com a higiene proporcionou à Humanidade a extensão – praticamente a duplicação – desta expectativa. E, com o envelhecimento populacional, surgiram diversas deficiências relacionadas à idade, tais como problemas de esquecimento, acidentes domésticos, como quedas e fraturas, hoje ocorrendo com frequência muito maior que há algumas décadas.

Tornar um ambiente acessível significa não somente a colocação de barras de apoio, tapetes antiderrapantes, cadeiras elevatórias, assentos sanitários adaptados ou deslocamento de interruptores, mas também o acendimento automático de luzes noturnas que indiquem o caminho para o banheiro, o desligamento automático do enchimento de uma banheira quando a água atingir um certo nível, o acionamento remoto de uma persiana ou cortina, a simplificação do acionamento de diversos (e por vezes confusos) controles para a utilização de um home theater.

Mais ainda, trata-se do acionamento de sistemas de alarme quando for percebida uma queda de um morador ou uma longa ausência de movimento dentro de um ambiente (como um dormitório). E tudo isto de forma não apenas remota (a partir de uma cama, maca ou cadeira de rodas, por exemplo), o que configuraria apenas “acionamento remoto”, mas também através do resultado da medição de sensores de presença ou ausência, temperatura, umidade. Ou seja, uma combinação de leituras que permite a tomada de decisões inteligentes e convenientes, inclusive remotamente.

A habilidade de controlar a iluminação através da tela de um tablet ou de um smartphone, por comandos de voz, ou ainda através de uma moderna interface cérebro-computador (Brain-Computer Interface ou BCI em inglês – ver
http://informatica.hsw.uol.com.br/interface-cerebro-computador.htm), permite que se obtenham diversas soluções que atendam aos diversos tipos de necessidades especiais.

No caso de uma pessoas com deficiência auditiva, abrir a porta para visitas pode ser uma tarefa árdua, a começar pelo fato de que o deficiente pode nem ouvir a campainha. Já para os que têm dificuldade de locomoção, pode ser difícil de se chegar até a porta. Um sistema automatizado de porta pode incluir uma fechadura eletrônica sem fio combinada a um sistema de vídeo-porteiro, de tal modo que um alerta telefônico é emitido assim que a campainha da porta é tocada, levando o deficiente a acessar o sistema de vídeo com um simples toque na tela, permitindo a conversa com o visitante e a abertura da porta também a um só toque remoto.

É no sentido de se tornar inteligente o acionamento dos sistemas, de modo a proporcionar uma verdadeira acessibilidade, que a automação residencial ou predial pode contribuir de forma efetiva.

Roberto Blatt é sócio-diretor da ALLTOMATIC® – Soluções em Energia e Automação

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A Automação – do conforto à economia e segurança

Engº Roberto Blatt

Num país com 60 milhões de domicílios, é de se admirar que apenas 300 mil, ou 0,5% sejam “casas inteligentes”. Por “casas inteligentes” entende-se aquelas onde os controles inteligentes são interligados, gerando diversos comportamentos interdependentes para os componentes do sistema.

Por exemplo, uma cafeteira elétrica ligada ou desligada automaticamente por timer ou controle remoto não é considerada automação. Mas, se você conseguir comandar para que, do seu celular, você acione a banheira, preparando a água na temperatura desejada, ligue a cafeteira para lhe preparar uma bebida quente ao chegar, acione os equipamentos de ar condicionado e deixe a iluminação da sala aconchegante para que você e os seus assistam a um bom filme, terá criado uma “cena” (atuação simultânea e pré-programada sobre alguns ou todos os equipamentos integrados a um sistema) e, aí sim, terá utilizado a automação residencial.

Considerando-se o problema da falta de segurança presente em todo o país, não era de se estranhar o fato de que, quando foi criada a Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside), em 2000, o foco da automação fosse a segurança. Porém, descobriram-se outros usos para a ela, que passou a ser muito requisitada para controle de home theaters, o que foi sendo gradualmente substituído pelo controle automatizado da iluminação, que hoje responde por mais de 50% dos projetos na área.

Porém, como no exemplo citado no começo do texto, surgiram as questões ligadas ao conforto, logo acrescidas dos aspectos acessibilidade e mobilidade (num exemplo mais trivial, ligar automaticamente a iluminação do corredor e do banheiro quando um idoso se levanta à noite).

Com os crescentes custos da energia elétrica, bem como com a possibilidade de novos momentos de escassez, surgiu uma nova aplicação para a automação residencial, que será uma constante daqui para frente: o uso racional da energia.

Como exemplo de tal aplicação, temos as residências onde o ar condicionado de um terraço é programado para ser acionado dez ou quinze minutos antes do nascer do sol, simultaneamente à subida do blackout e descida das cortinas e com os movimentos inversos ocorrendo no momento do pôr do sol. E isto tudo sem intervenção humana, já que um relógio presente no equipamento central de controle contém a programação dos horários de nascer e pôr do sol (o chamado relógio astronômico).

Um sistema de automação pode “aprender” a rotina de uma casa ou apartamento e controlar situações rotineiras, tais como irrigação, acendimento e apagamento de luzes, acionamento e desligamento de aparelhos de ar condicionado, podendo também simular a presença de pessoas, em caso de viagens – e esta simulação pode variar dia a dia (conforme programado).

No quesito segurança, tem-se agora mais do que o clássico monitoramento por câmeras e sensores de intrusão. Incorporou-se a segurança no âmbito do bem-estar, de se alertar contra inundações, vazamentos de gás, ausência de movimento (no caso de idosos que deixam de emitir sinais vitais através dos cômodos por tempo excessivo, podendo sinalizar acidente doméstico) ou outros eventos indesejáveis na rotina do local.

São sensores interagindo entre si e tomando decisões inteligentes sobre a tomada de ações em função dos parâmetros de um determinado momento e transmitindo tais sinais remotamente, para fins de controle ou tomada de novas decisões. Tudo de maneira automática e/ou com intervenção humana. É a Internet das Coisas (conceito de que todos os objetos computadorizados podem estar ligados entre si através do uso da internet – veja o artigo “A Internet das Coisas e as Coisas da Internet“), ou a Internet de Tudo, proporcionando segurança, conforto, comodidade.

E, claro, estas soluções podem ser aplicadas também a condomínios e escritórios, abrangendo áreas comuns, salões de festas e de reuniões, home theaters e outros ambientes.

O melhor de tudo é que, com o desenvolvimento cada vez mais rápido de novas tecnologias e a economia de escala, os sistemas de automação residencial custam hoje metade do que há cinco anos. O estigma de que a automação residencial seja custosa faz parte do passado – a Aureside calcula que se possa ter uma casa totalmente inteligente por cerca de 5% do valor do imóvel. E, se num imóvel em construção a passagem de fiações permite uma solução cabeada – e potencialmente mais barata – uma instalação sem fio numa residência já pronta pode fazer o custo do sistema cair em 20%.

Roberto Blatt é sócio-diretor da ALLTOMATIC® – Soluções em Energia e Automação

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A Internet das Coisas e as Coisas da Internet

O termo “Internet das Coisas” foi criado por Kevin Ashton, um dos cofundadores do Auto-ID Center do MIT, o afamado Massachusetts Institute of Technology.

Basicamente, trata-se do conceito de que todos os objetos computadorizados podem estar ligados entre si através do uso da internet. A partir de qualquer lugar do mundo, a interligação de todos estes dispositivos – seja com fio ou sem (wireless) – permitiria a eles “ter seus próprios meios de coletar informações, de modo que possam “ver”, “ouvir” e “cheirar” o mundo por si mesmos… Tecnologias de sensores e RFID (método de identificação automática com o uso de frequências de rádio, possibilitando armazenamento e recuperação remota de dados) permitem aos computadores observar, identificar e entender o mundo – sem as limitações dos dados introduzidos pelos humanos.” [1]

Imaginemos um sistema eletrônico de coleta de pedágio, através do qual um veículo com uma tag (“etiqueta”) colada em seu para-brisas (como os sistemas Sem Parar/Via Fácil ou Connectcar, no Brasil) passa pelo pedágio, e, sem a necessidade de intervenção humana direta, verifica-se que o veículo está equipado com o mecanismo e que seus pagamentos perante o sistema estão em dia. A liberação da passagem é automática, assim como o débito na conta do dono da tag.

Mais ainda, é possível realizar um monitoramento do tráfego na rodovia através da contagem do tempo que uma série de veículos demora para passar entre dois determinados postos de pedágio. A partir daí, pode-se enviar uma mensagem a um PMV (Painel de Mensagens Variáveis) disposto na estrada, que então avisa aos demais condutores qual a situação do tráfego no local.

Isto é apenas um dos usos para a “Internet das Coisas”. Uma biblioteca pode ser inventariada à distância e os resultados enviados a uma central de controle, acusando a falta ou o atraso de determinado livro, ou mesmo constatar-se se algum livro foi guardado no local errado.

Mais do que livros, pessoas e veículos podem ser localizados, alertas emitidos e eventual rastreamento executado. É o chamado posicionamento onipresente, pelo qual objetos podem ser monitorados e controlados à distância e a todo momento.

Estes conceitos podem ser estendidos para a chamada “Casa Inteligente”, na qual, por exemplo, a geladeira pode ter um sensor que controla, através de tags dispostas nas embalagens dos alimentos, o estoque e/ou o vencimentos dos produtos, emitindo alertas para gerar e gerir listas de compras no supermercado – já atrelando esta lista a mecanismos que determinam os melhores locais para se fazer as compras.

Na Casa Inteligente, a qualidade do ar pode ser monitorada avisos disparados para a tomada de medidas como abertura de pontos de exaustão e acionamento de filtros ou aspiradores.

No que tange à climatização e iluminação, cortinas podem ser abertas ou fechadas conforme a posição do sol, horário do dia ou temperatura ambiente, em paralelo com o acionamento ou desligamento do ar condicionado e a intensidade da iluminação também pode ser variada de acordo com parâmetros de horário e em função da ausência ou presença de pessoas no ambiente. Indo adiante, cenários podem ser criados de maneira a se adequar ao momento: é hora da festa ou de se assistir confortavelmente a um filme no home theater?

E a inteligência estende-se aos ambientes externos, seja numa casa ou num edifício: o jardim pode ser irrigado em função da umidade do solo, a água da piscina pode receber tratamento em função do grau de sujidade, a sauna programada para ser acionada algum tempo antes da chegada prevista de usuários e o acesso de pessoas a uma unidade liberado de qualquer lugar do planeta, a partir de computadores, tablets ou smartphones, que deverão estar no centro deste monitoramento e controle, trabalhando de maneira imperceptível, porém extremamente eficiente.

Estas são as coisas que a internet nos proporciona. E podemos ir além… Analistas e estudiosos preveem dezenas de bilhões de dispositivos conectados via internet em 2020. Por que os dispositivos de sua casa não seriam parte desta rede?

[1] http://www.rfidjournal.com/articles/view?4986

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Bode Expiatório — Uma História da Prática de Culpar Outras Pessoas (Scapegoat – A History of Blaming Other People)

Bode Expiatório — Uma História da Prática de Culpar Outras Pessoas (Scapegoat – A History of Blaming Other People), livro sobre a história do hábito de se culpar os outros, de Charlie Campbell, 2011. C

“No início, Adão culpou Eva”… é a bem sacada frase de capa do livro inglês Charlie Campbell, que mostra a história da Humanidade no que tange a uma de suas características mais primitivas – a de querer culpar sempre o outro. O livro já começa explorando bem o tema, ao mencionar o lema da família dos condes de Gresham: “Quem podemos culpar?”. E prossegue explicando a origem do termo “bode expiatório” e depois dedicando um capítulo a cada evento histórico em que aparece a figura do “expiador”, normalmente um ser humano que ocupa este papel – involuntariamente, na maioria das vezes.

Bode expiatório e herói são comparáveis, ironicamente, pois ambos se entregam para a maioria. O bode seria uma versão a contragosto do herói? Ambos proporcionam risco e sacrifício sem vantagens pessoais imediatas e para benefício dos que o cercam. Mas… reis podem vir a ser bodes expiatórios, e não o contrário… Apesar de que por vezes o bode ser considerado como dotado de muitos poderes (talvez maiores que os de um rei), capazes de provocar catástrofes.

No início da civilização, animais eram utilizados para “absorver” os pecados humanos perante os deuses (ou Deus), normalmente sendo “expulsos” do local, poupando a Humanidade da expiação. Depois, eles perderam lugar para os próprios humanos. Mas nem sempre, já que houve casos onde os animais não foram mero instrumento de absorção destes pecados, mas sim acusados por causá-los, e o autor cita o exemplo de um infeliz porco levado a julgamento por pretensos pecados e ainda vestido como um ser humano – ó, estupidez absoluta! Ou ainda casos de insetos causadores de praga julgados por causar destruição em lavouras e sentenciados (alguém se habilita a apostar que tenham cumprido pena?).

O bode expiatório tinha razão de ser… afinal, como explicar as coisas ruins que aconteciam às pessoas e povos se não através da ideia do castigo divino, que precisa ser expiado? E o ser humano, rico em motivos escusos, usou a figura do bode expiatório como desculpa para se apropriar dos bens daqueles que formavam minorias facilmente exploráveis para livrar-se de desafetos.

E vamos aprendendo que a obsessão pela pureza e a crença no pecado original contribuíram para o fortalecimento da pobre figura do bode expiatório. Assim é que a Igreja Católica, que passou de perseguida a perseguidora, acabou herdando maus hábitos dos que a perseguiam, encontrando bons bodes expiatórios (ou cabras, já que na Idade Média a caça às bruxas privilegiou as mulheres).

Quanto às bruxas, esta figura mítica perseguida desde cedo pela Igreja, o autor explica que muitas das pessoas apontadas como tal eram viúvas ou idosas solteiras, deficientes mentais, gente colocada à margem da sociedade e cuja vida não tinha valor suficiente para seus semelhantes (e, por vezes, nem para si mesma). Nesta linha, um dos exemplos mais marcantes do livro é aquele em que uma senhora foi acusada de bruxaria e o pároco local “ousou” dizer que, se ela fosse uma bruxa, então ele também haveria de ser. A consequência desta defesa pelo absurdo foi óbvia…

E os judeus, que não podem ser esquecidos? Ah, como eles sofriam menos com a peste negra, deveriam ser seus causadores da mesma. Mas ninguém refletiu o suficiente (e deveria fugir aos conhecimentos da época) para perceber que seus hábitos higiênicos seriam melhores que os do restante da população.

A Inquisição, aliás, foi pródiga em criar recursos para obter confissões. Um dos “inteligentes” testes para se averiguar se se tratava de feiticeiro ou não era o do afogamento. Jogado no rio amarrado a pedras, o suspeito que afundasse (e morresse…) era inocente. O que flutuasse seria culpado (e morreria a seguir na fogueira…). E o peso das acusações e torturas era tanto que por vezes os acusados passavam a acreditar nas acusações feitas contra si de possuir poderes malignos e até tentavam usá-los para sobreviver, o que, ironicamente, aumentava a carga da acusação.

Estranhamente (ou convenientemente?) tanta estupidez gozou de chancela oficial da Igreja, que acabou avalizando o livro escrito por dois inquisidores alemães, Hein­rich Krae­mer e James Sprenger, em 1487, “O Martelo das Bruxas” ou “O Martelo das Feiticeiras” (título original em latim: “Malleus Maleficarum”), que foi o guia de diagnóstico para bruxas por séculos.

Aliás, a este respeito, outro dia vi num documentário uma explicação de que Kraemer o teria escrito como vingança contra uma moça que não cedera a seus “charmes”. Os autores teriam colocado uma falsa nota de apoio da Universidade de Colônia, e assim foi que muitos inquisidores fizeram fortuna cobrando à base de bruxos encontrados e confessos.

Mas não pode se julgar as sociedades do passado pelos valores do presente. Afinal, não eram esses tempos mais primitivos? Não nos livramos da estupidez da figura do bode expiatório nos tempos modernos? Não! Todo desastre tem que ter seu bode… Assim é que subsistem “teorias da conspiração”, contra os rosa-cruzes, que pretensamente estariam em todos os cantos do mundo, e contra os judeus e outras minorias (afinal, são muito recentes o vergonhoso caso Dreyfus e Holocausto sob Hitler).

Uma leitura agradável, com elegantes ironias (por exemplo, algum líder alguma vez já clamou que um desastre fosse culpa de seus próprios pecados?), apesar de o tom geralmente engraçado em muitos momentos tornar-se triste, ao revelar os males causados pela tendência de culpar outrem. A divisão em capítulos dedicados cada um a momentos diferentes da história facilita a leitura sem a perda do fio da meada. Devorei o livro rapidamente…

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Armadilha em Gaza

Armadilha em Gaza, livro sobre episódio político e midiático de Jorge Zaverucha, 2011. C

O mote do livro são as repercussões da abordagem da marinha israelense, em maio de 2010, ao Mavi Marmara, maior navio da dita “Flotilha da Liberdade”, grupo de embarcações que alegava levar ajuda humanitária à faixa de Gaza e que pretendia furar o bloqueio marítimo imposto à região. A flotilha, carregando armas e inocentes úteis, foi conduzida pelos fanáticos do grupo turco Insani Yardim Vakfi (IHH) e, num lance de autopromoção, apoiada pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em busca da conquista da simpatia do mundo muçulmano e do aumento de sua influência na politica mundial.

O autor explica que Israel perdeu preciosas horas para mostrar ao mundo que a abordagem ao navio, feita por soldados munidos apenas de armas de paintball (pois não esperavam encontrar resistência ao tentar levar o navio para ser regularmente descarregado e inspecionado), foi revidada por “militantes” armados, previamente para uma ação violenta, que pudesse gerar “mártires”. Além da falha de relações públicas, faltou coordenação da inteligência militar com o Mossad, o serviço secreto israelense. Mas o livro mostra que os intentos de Erdogan não foram alcançados, ao contrário do que pareceu a muitos. Li em duas horas este excelente livro, que é cativante e desmascara a mídia tendenciosa, além de ministrar uma aula excepcional e concisa sobre a história do conflito árabe-israelense, geopolítica e relações públicas. Na última seção, a tradução da Carta de Princípios do Hamas mostra suas reais intenções em relação aos judeus e cristãos.

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